Abstract
<jats:p>O avanço recente da inteligência artificial e da automação recoloca o trabalho humano como variável secundária nos processos produtivos e pressiona a forma como cidades e regiões são planejadas. O artigo discute a formação de um contingente de trabalhadores expulsos do emprego formal por substituição tecnológica, tratado aqui como “inservíveis”, para iluminar o descompasso entre promessas de requalificação e limites estruturais de reinserção. Com base em ensaio teórico-crítico e revisão narrativa de estudos sobre futuro do trabalho, finanças públicas locais e reorganização socioespacial, analisam-se efeitos da automação sobre arrecadação vinculada ao emprego, consumo urbano, segregação por competência tecnológica e obsolescência de infraestruturas moldadas por fluxos pendulares. O texto apresenta ainda um quadro sintético de respostas possíveis: renda básica, novas formas de tributação da produção automatizada e redesenho de funções urbanas, discutindo implicações para o planejamento regional e a gestão pública em territórios pós-trabalho.</jats:p>