Abstract
<jats:p>A infecção por Helicobacter pylori constitui uma das principais causas de gastrite crônica e está associada à doença ulcerosa péptica, ao linfoma do tecido linfoide associado à mucosa e ao adenocarcinoma gástrico. Este capítulo objetiva revisar os aspectos microbiológicos, fisiopatológicos, epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos da gastrite associada à bactéria, com ênfase nas recomendações contemporâneas. O diagnóstico pode ser realizado por métodos não invasivos, como teste respiratório da ureia e pesquisa de antígeno fecal, ou por métodos invasivos obtidos durante endoscopia, incluindo teste rápido da urease, histologia, cultura e técnicas moleculares. A escolha depende do contexto clínico, da presença de sinais de alarme e da necessidade de avaliar lesões gástricas. O aumento da resistência antimicrobiana, sobretudo à claritromicina, reduziu a eficácia da terapia tripla empírica e modificou as estratégias de erradicação. Diretrizes recentes priorizam a terapia quádrupla com bismuto por 14 dias quando não há teste de susceptibilidade disponível, além de valorizarem esquemas individualizados e bloqueadores ácidos competitivos de potássio, como a vonoprazana, em situações selecionadas. A confirmação da erradicação deve ser realizada após o tratamento por método que detecte infecção ativa. A abordagem adequada da infecção contribui para o controle dos sintomas, a prevenção de recorrência ulcerosa e a redução do risco de complicações neoplásicas.</jats:p>