Abstract
<jats:p>Analisar de que maneira as transformações ocorridas nas estruturas produtivas nacionais, desde a crise de 1929 até o final do século XX, engendraram rupturas estruturais nos estilos de desenvolvimento do país. É nesse contexto que se delineia o objetivo desta investigação. Em primeiro lugar, é relevante destacar que os estilos de desenvolvimento que se consolidaram no território nacional ao longo desse período apresentaram naturezas distintas. Entre o final da década de 1920 e 1980, observou-se a hegemonia do modelo de substituição de importações, cujo eixo dinâmico centrou-se no capital industrial. Por outro lado, o estilo de desenvolvimento que emergiu a partir dos anos 1990, denominado neoextrativismo contemporâneo, passou a ser comandado pela financeirização em detrimento do capital industrial. Os efeitos dessa estratégia de inserção, subordinada aos mercados internacionais, estimularam o processo de desindustrialização nacional, bem como o fortalecimento de setores econômicos alinhados às vantagens comparativas estáticas baseadas na abundância de recursos naturais. Em síntese, o estilo de desenvolvimento do neoextrativismo contemporâneo aprofunda os postulados da modernização conservadora, uma vez que não promove alterações significativas na estrutura fundiária nacional. Paralelamente, as inovações tecnológicas introduzidas nos processos produtivos caracterizam-se por serem poupadoras de terra, de modo que o incremento da produção agropecuária se torna função do aumento da produtividade do trabalho ou do capital. Dessa forma, o processo de modernização econômica das atividades agropecuárias acelera a transformação da estrutura agropecuária nacional e regional, mas, paradoxalmente, intensifica o processo de desindustrialização do país. Isso implica que o Brasil se torne progressivamente mais dependente do progresso técnico, dos produtos industrializados e do financiamento oriundos dos países centrais. Ademais, acentua-se a heterogeneidade estrutural e produtiva, sobretudo no setor agropecuário, dado que o progresso técnico não é distribuído de forma equânime entre os produtores agrícolas nacionais e regionais.</jats:p>